quinta-feira, 29 de outubro de 2009

João e Maria: O caso



Geraldo Maciel 'Barreto''

Lembro: o acaso era um por-do-sol derramado, um minguante despejar de luzes que caminhava para o lusco-fusco, hora em que a luz divide sua soberaniacom o escuro, a noite se amalgama com o dia, momento em que um homem triste, de semblante fusco , eu, com meu unico olho, procurava por ela, a soberana de minha tristeza.
Eu, um João qualquer, ela uma Maria única, pelo menos para mim. Esse João, tentando como a luz, inutilmente sustentar o clarão dos olhos~dela sobre sua vida; ela , como a noite, soberana, querendo cobrir esse João, seu reino e seu domínio, com o manto da escuridão que leva ao esquecimento.
Ela dizia: João, escute. O amor é como o dia: quado chega a noite, ele murcha, morre, se recolhe, desaparec; assim acontece agora com nós dois,. Nada pode deter essa avalancha que nos cobre. Amanhã o sol, um outro sol. Nada impede que ele volte, que apague a escuridão, que volte a aquecer o mundo e os entes.
Eu respondia? Maria, ouça. Se você quiser, a noite não chega, o dia vai durar para sempre, jamais haverá o acaso, e eu não me perderei nos caminhos que as noites são invísiveis.
Você quer o impossivel, João. Congelar o amor é como congelar o tempo; é como parar o sol, apagar a noite, dar um fim à eternidade. Impossível, João.
Não, não é impossivel. Diga sim, diga que me quer, diga que me ama, diga pare sol, diga morra noite, e você estabelecerá a eternidadde. Diga! Ordene! Os deuses a ouvirão, a natureza lhe obedecerá, o cosmo cumprirá sua sentença!
João, isto é para os deuses, e até para eles pode ser uma impossibilidade. Aceite a nossa humilde condição, a nossa fragil consistência; os limites de nossa carne e do nosso coração! A vida é assim, nosa vida é assimdeterminada. Do pó ao pó, da aurora ao acaso. Principio e fim.
Assim foi. Vi-menum deserto a perseguir horizontes que estão sempre longe; afogeui-me numa noite tão longaque parecia aterna; mergulhei num silencio tão profundo que me pensei surdo. Mas sobrevivi. Consegui manter o nariz acima das marolas do diluvio. Vislumbrei pálidos reflexos ao longe, como relâmpagos no infinito; chegeui a borda do deserto, à fronteira entre a esterilidade e o úbere, entre o ocre e o verde, ao loval onde o horizonte é alcançável.
Hoje Maria é uma lembrança em baixo relevo, um palimpsesto que se esfarela ao contato, um vacuoaonde um dia existiu a dor. Sobrevivi. E lembro ainda, e talvez essa seja a última lembrança, quando ela naquele dia me disse: O amor é como o sol, nada impede que ele volte...
Eu espero. Sobrevivi e espero aqui neste limbo, imerso neste inquietante espera do albor, aguardando a luz, procurando a aurora como um girassol demente, esperando que aquilo que ela disse um dia seja verdade. Que volte o sol, que volte a luz, que volte alguma coisa, mesmo infinitamente pequeno, lembre aquilo que por ela senti um dia.
Espero e desejo esse futuro como se isso fosse a única coisa a fazer na vida, mesmo sabendo que daqui a pouco, ele, como o sol, vai caminhar para a queda, para seu ninho de escuridão e eu tenha que mergulhar novamente no acaso.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


Suje os pés na lama
E venha conversar comigo
Comigo
Chore, esqueça o drama
E venha aliviar
O amigo
Vem, não tenha medo
Não tenha medo
Não tenha medo, não
Vem, não tenha medo
Não tenha medo, não
Vem, não tenha medo
A barra está pesada
Vem, não tenha medo
A barra pode aliviar
As pessoas são uns lindos problemas
Eu posso até acreditar
Eu acho tudo isso uma grande piada
Ou então eu não posso achar
Não me espera pra beber seu veneno
E nem pra ver você chorar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu posso nem chegar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu posso não voltar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu pó...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor

Ah! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não

Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois

Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor

"Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei."

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


"Se vai tentar
siga em frente.

Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena."
Charles Bukowski

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Uma reflexão para menos um desconforto na consciência.




O Homem é um animal solitário?
Vivemos sozinhos, pensamos sozinhos, andamos sozinhos, tomamos nossas próprias decisões sem que ninguém interfira nelas. Certo!
Mas, será que somos capazes de vivermos sozinhos? Seremos capazes de pensar em nós como animais solitários?
Decisão difícil a ser tomada, visto que, por vezes pensamos em conjunto.
E o que me faz pensar em um modo de vida solitário?
Penso que estamos todos muito ocupados com nossas individualidades que pouco tempo falta para pensar nos outros. A vida ta passando como um raio sob nossos olhos e, para alguns, ficar parado pensando na condição do próximo, às vezes pode ser perda de tempo.
Não nos pensamos como seres solitários, quando na verdade precisamos do outro como um alicerce para nós, mas, se outros precisam de nós, de um reconhecimento, de uma mão que nos ajude a levantar? Surge ai um outro lado, uma outra face, visto que todos estão muito ocupados com seus próprios problemas e dificuldades. Salvem-se aqueles que ainda reconhecem a importância do outro.
Sei reconhecer, o ser humano não é e nem deve ser um animal solitário, uma mão sempre lavou a outra e sempre vai lavar. É egoísmo pensarmos em nós como a melhor maneira de se viver. Queremos sim, viver bem, sermos responsáveis por todas as nossas decisões, mas viver sozinhos requer um pouco de coragem, ter peito pra encarar toda um vida, ser um “Super – homem Nietzscheano” que pra mim, é uma grande virtude, mas que talvez não passe de uma lenda.
É de muitas mãos dadas que se forma uma ciranda, é de dois que se tem o melhor abraço, é pelo outro que nos conhecemos, é mais gostoso compartilhar lembranças do que guardá-las pra você.
Somos “um por todos e todos por um”. O melhor prazer é feito á dois, a melhor comida já feita é aquela elogiada pelo outro, logo, nem todo mundo que cozinha sente o prazer de apreciar a própria comida. É com outros que trocamos os melhores afetos, é com os outros que nos descobrimos.
Sempre iremos sentir a carência do outro, o maior medo da humanidade ainda chama-se solidão, sempre vamos querer um colo, um ouvido, um afago, um riso que não seja o nosso, é necessário do ser humano sentir sede do outro. O calor humano é o sempre o melhor quando estamos com frio. Gostamos, é desejo nosso sermos dois, três, quatro ou mais, mas, nossas decisões, atos são apenas responsabilidade nossa e de mais ninguém!
“Nenhum homem é uma ilha”, e tenho dito!